Professor da UFC participa de investigação científica destaque na revista “Science”

8 de agosto de 2017

Uma investigação desenvolvida em escala global sobre diversidade na polinização para a produção agrícola de alimentos – que contou com a participação do Prof. Breno Freitas, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará – foi destaque na mais recente edição da revista Science, um dos periódicos científicos de maior renome em todo o mundo.

Publicado na última sexta-feira (22), o artigo “Mutually beneficial pollinator diversity and crop yield outcomes in small and large farms” (Resultados mutuamente benéficos para a diversidade de polinizadores e produção agrícola em pequenas e grandes fazendas, em tradução livre) analisa a relação entre a diversidade de animais polinizadores e o nível de produção em unidades agrícolas de pequeno e grande porte, destacando, assim, a importância das abelhas para a segurança alimentar mundial.

Financiado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), através do projeto mundial sobre polinização, o trabalho analisou 344 propriedades na África, Ásia e América Latina. No Brasil, seis redes de produção foram acompanhadas, sendo uma delas a do caju, que ficou sob a coordenação do Prof. Breno Freitas.

Através de um protocolo de estudo que possibilitou a comparação de dados das mais díspares realidades, os pesquisadores chegaram a um déficit de produção de alimentos diretamente conectado às quedas na polinização. “Há uma diferença entre as propriedades que produzem mais e as que produzem menos. Essa diferença é de 53%. Desse número, 24% são o deficit de polinização”, explica o professor.

Veja outras imagens sobre o assunto no Flickr da UFC

Imagem: Prof. Breno FreitasAtualmente ameaçadas de extinção por fatores como desmatamentos para agricultura e pecuária, expansão não planejada das grandes zonas urbanas, mudanças climáticas, uso de pesticidas, dentre outros, as abelhas são elementos fundamentais na produção de alimentos para o ser humano e manutenção dos ecossistemas. Segundo estimativa da FAO, elas são responsáveis pela polinização de 73% das plantas cultivadas para alimentação humana.

Com o crescente desaparecimento desses insetos, a possibilidade é de que a queda na produção de alimentos seja cada vez maior, cenário preocupante para um planeta que caminha para os nove bilhões de habitantes, em 2050.

“Basicamente, a grande maioria das plantas do mundo, incluindo as que nós cultivamos para produzir nossa alimentação, e especialmente as frutas e verduras, de onde obtemos nutrientes essenciais à nossa nutrição, como os minerais e vitaminas, depende da polinização. Pela primeira vez, pudemos dizer o quanto essa polinização agrícola está abaixo dos níveis ideais nessas regiões do mundo e, o mais importante, testar o que temos sugerido nos últimos anos: a Intensificação Ecológica”.

A Intensificação Ecológica na agricultura visa incrementar, por meio da biodiversidade, serviços ecossistêmicos como o ciclo de nutrientes, a polinização por animais ou o controle de pragas, para substituir, complementar ou interagir sinergicamente com os fatores externos de produção (como fertilizantes, introdução de polinizadores e pesticidas) e criar cenários mutuamente benéficos entre o meio ambiente e a produção de alimentos.

O Prof. Breno explica que com a Intensificação Ecológica há um aumento da produtividade e se pode produzir a mesma quantidade de alimentos usando áreas menores ou aumentá-la sem precisar expandir a área plantada. “No caso específico da polinização, a ideia é procurar trazer para essas áreas agrícolas não apenas uma maior quantidade, mas uma maior diversidade de abelhas, para que as habilidades polinizadoras das espécies se complementem e tenhamos um equilíbrio”, comenta o pesquisador.

“Antes se pensava que bastava botar umas caixas de abelha africanizadas na plantação e já se resolvia o problema da polinização. Mas a gente viu que não é bem assim, embora melhore os índices de polinização, não adianta só aumentar a quantidade, a gente precisa ter uma diversidade de espécies, porque há abelhas que só visitam as flores das partes altas da planta, outras só visitam as flores mais baixas, abelhas que não visitam flores dentro da folhagem, ou que não voam se o clima está mais chuvoso ou frio etc. O que a gente pode dizer tranquilamente é que esse trabalho mostra que a Intensificação Ecológica é um caminho interessante tanto para melhorar a produtividade, o que beneficiaria pequenos e grandes produtores, como também para o meio ambiente. Isso porque para obter a polinização ideal é necessário adotar medidas benéficas para as diversas espécies de abelhas”, afirma o pesquisador.

Fonte: Prof. Breno Freitas, do Departamento de Zootecnia da UFC – fone: 85 3366 9220